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domingo, 4 de maio de 2014

Poesia


Escrever / Ler poesia é um exercício de fingir o que se sente, de sentir o que se finge. É um exercício de viver. Vivendo, escrevendo... fico com Fernando Pessoa: "Sentir, sinta quem lê"

Deitada ao sol, consenti
Que seus raios quentes
Me penetrassem fundo a pele
E que a brisa suave alisasse
As rugas que o tempo esculpiu.

Por um instante
Me senti poderosa
Possuída pela divindade!
              (Maio, 2014)

***

Mais de 60

Sessenta mil milhas percorridas,
Sessenta anos queimando ilusões!

Pelas sete partidas do mundo
Me perdi e me achei.
Em cada porto
Deixei farrapos de vida
Espalhados a esmo
E a rosa dos ventos girando ensandecida
Aportou-me aqui, lugar de doce fel.
Da amarga delícia de viver,
Aqui preenchi as horas
Do silêncio que se escoou por entre os dedos.

Na praia deserta as velas pandas se rasgaram
E os mastros quebrados revelam
Que a bússola perdeu a rota
E agora
Meu barco voga à deriva
No mar sem fim da solidão!
                 (29/11/2007)

***

Teço palavras
Cruzo e descruzo
Ponto e pesponto
Desponto
O desenho
Delineado

Cruzo linhas e tecidos
E tecidos e palavras
Texto e tecido
Fio frágil
Que laço e entrelaço

No fim
Meu traço lasso
Repousa satisfeito
Tecido de Ideias e palavras.
                    (2013)