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Melhor Idade?

Ninguém disse ao meu coração Que o tempo passa, rasga e desgasta Que tem uma idade E outra idade E uma terceira idade Que chega sorrat...

domingo, 30 de novembro de 2014

À Flor da Pele


Um beija-flor atrevido
Pousou de leve no meu roseiral
Beijou suavemente uma rosa
E sorveu seu mel.

Depois, partiu sem olhar para trás,
Talvez envergonhado e feliz
Por ter roubado à flor o néctar
Deixando-a frêmita de prazer,
Apesar do furto.

                           (27/11/2014)


sábado, 1 de novembro de 2014

Divulgando Arte








As telas apresentadas são da autoria de minha grande amiga Lilia Stefanus Leal Rodrigues. Prometo apresentar, em breve, a artista e sua história. Por agora, convido todos vocês a apreciar a obra e deleitar-se com tão belas imagens.   

domingo, 5 de outubro de 2014

Manta de Farrapos

MEMÓRIAS I

         
       Boa parte da minha infância e adolescência foi vivida em colégios de freiras, onde aprendi muitas coisas, entre elas valores morais e éticos que, até hoje, norteiam a minha vida.
     Uma das coisas que me dava bastante prazer era participar das atividades culturais como apresentações em recitais e peças de teatro.
        Lembro-me bem de, ainda aluna do Colégio de Nossa Senhora da Bonança, em Vila Nova de Gaia, Portugal, ter participado de uma festa de Natal, na paróquia Vilar de Andorinho (Gaia), onde me apresentei recitando um poema (não recordo, de momento, o título) e de uma apresentação no Coliseu do Porto em que participei como uma das personagens centrais de uma peça de teatro, espetáculo dirigido a soldados que iriam combater no ultramar (provavelmente, em 1962). Já em Coimbra, além das festas no Colégio Rainha Santa Isabel, fui convidada a recitar um poema de Miguel Tigueiros chamado "Natal das Sombras", na festa de Natal (1964) de uma das paróquias do centro da cidade e que fez com que, durante algum tempo, ao passar na baixa de Coimbra escutasse: "aquela é a menina do Natal das Sombras!", podendo sentir o efêmero gosto da fama (rrss).
        Alguns desses poemas foram recitados, muitas vezes, nos encontros da JOC, em Moçambique, em atividades Culturais acadêmicas, como semanas (jornadas) de Letras da UnG (Universidade Guarulhos), em Guarulhos, SP.  
        Várias pessoas têm me pedido a cópia dos textos. Resolvi, portanto, colocá-los aqui, nas páginas do meu blog, tanto para divulgação, quanto como resgate das lembranças de um tempo perdido "nas brumas de D. Sebastião". Se algum leitor se identificar, como tendo participado de algum desses momentos (tempos/memórias) e quiser manifestar-se num comentário crítico, ficarei grata e muito feliz!
        O primeiro texto chama-se Manta de Farrapos (anônimo). Recolhi este texto numa das revistas da ordem das Franciscanas Missionárias de Maria, e se alguém conhecer o verdadeiro autor (a), queira, por gentileza, enviar-me a identidade para que possa atribuir os créditos a quem de direito.               Diretamente da minha memória, segue o texto:

Manta de Farrapos


Quando no teu peito arder a revolta,
E um desprezo infinito, pelos que te traíram!
Quando, com língua perversa, 
Fizerem da tua vida, o assunto da conversa,
Por não seres mais do que és,
E por calcares aos pés,
A falsidade de que se alimentam!...
Quando aqueles a quem chamas de irmãos,
De quem gostas,
Vierem mais tarde apunhalar-te pelas costas!
Quando vires sucumbir, à tua beira, um a um os teus,
Sem lhes poderes acudir...
Quando a tua alma inteira for só cicatrizes, 
Que um novo golpe, fizer rebentar,
Quando não tiveres lágrimas para chorar!

Então, 
Pega nos pedaços da tua alma em carne viva,
E do teu peito nu, 
Faz com eles, uma coberta de trapos,
E agasalha,
Na tua manta de farrapos,
Um ainda mais pobre do que tu!

***
         Fiquemos hoje, dia de reflexão política (eleições 2014), com este texto do meu baú. Outros virão, tirados das minha reminiscências mais longínquas ou mais próximas, à medida que o cotidiano massacrante, me permitir, numa breve fuga, costurar mais um retalho desta manta chamada vida.
                                                                                   Celeste Baptista


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Poemas Familiares

FILHOS

Pedaço  de mim
Que se desprende
E que me prende
Que se desgarra
E que me agarra
Que me enche de luz
E por vezes se apaga.

Pedaço de mim
Que pede, chora e implora,
Que grita e estremece
Com quem grito e repito
Com quem brigo e discuto
Com quem me frustro!

Pedaço de mim
Com quem me animo
E me serve de arrimo
Que vai de repente
E chega de mansinho,
Que me afunda, inunda e circunda,
Que me invade e me arrasa,
Que me abraça e despedaça
Que me abrasa, acende e me apaga.

Pedaço de mim
Que me sacrifica e me dulcifica,
Que me ocupa e preocupa,
Que me culpa e se desculpa,
Que enche de dor e de alegria minha casa.

Pedaço de mim
Que me encanta e desencanta
Que me espanta!
Que me enche, preenche,
E me esvazia.

Que me inebria!

Pedaço de mim
Que não é meu
De quem sou pedaço
E não sou seu.

Filhos, cadilhos, sarilhos,
Doçura, candura, ternura,
Que loucura!

Filhos
Por quem  velo e desvelo
E me descabelo,
Que me cansam, descansam e dançam,
Que me causam dor e me dão alegrias.

Filhos que amo e são meus!
           
             Celeste Baptista   23/08/2014

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Poemas Antigos

Os textos de hoje foram "scaneados"  de acordo com sua publicação inicial na Revista Universidade Guarulhos - Ciências da Comunicação, Letras e Artes, III (3), junho de 1998. p. 51-54.  São eles: Uma crítica de Zilka Lins e ilustrações de A. Busnardo. Alguns destes textos também constam, do livro Chuva Quente (2000). Se necessário, para facilitar a leitura, ampliem o texto!









domingo, 29 de junho de 2014

Reflexões



         Na impossibilidade de fugir da morte, vivamos intensamente cada sopro de vida. Assim, quando chegar o instante derradeiro, suspiremos e partamos, com a sensação (ou ideia) de que nada deixamos para trás, apenas paramos de respirar.

***
A pedra de Sísifo


         "A culpa é tua!", "a culpa não é minha!", frases fatídicas que nos obrigam a empurrar, montanha acima, a pedra destinada à eterna descida.

Esse, o Inferno diário em que queimamos a vida. Basta de carregar a pedra de Sísifo!
(29 de junho de 2014)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

PRATA DA CASA ED.16 - PROF CELESTE DUARTE


        Este vídeo foi produzido pela UnG (Universidade Guarulhos) onde trabalho há 28 anos, e onde espero continuar por mais alguns! Resolvi compartilhar para que as pessoas possam saber um pouco mais sobre as minhas atividades profissionais e pessoais e para que se sintam à vontade para visitar O Blog "Como Árvores Antigas" e dialogar, comentar os textos que dele farão parte.

domingo, 4 de maio de 2014

Poesia


Escrever / Ler poesia é um exercício de fingir o que se sente, de sentir o que se finge. É um exercício de viver. Vivendo, escrevendo... fico com Fernando Pessoa: "Sentir, sinta quem lê"

Deitada ao sol, consenti
Que seus raios quentes
Me penetrassem fundo a pele
E que a brisa suave alisasse
As rugas que o tempo esculpiu.

Por um instante
Me senti poderosa
Possuída pela divindade!
              (Maio, 2014)

***

Mais de 60

Sessenta mil milhas percorridas,
Sessenta anos queimando ilusões!

Pelas sete partidas do mundo
Me perdi e me achei.
Em cada porto
Deixei farrapos de vida
Espalhados a esmo
E a rosa dos ventos girando ensandecida
Aportou-me aqui, lugar de doce fel.
Da amarga delícia de viver,
Aqui preenchi as horas
Do silêncio que se escoou por entre os dedos.

Na praia deserta as velas pandas se rasgaram
E os mastros quebrados revelam
Que a bússola perdeu a rota
E agora
Meu barco voga à deriva
No mar sem fim da solidão!
                 (29/11/2007)

***

Teço palavras
Cruzo e descruzo
Ponto e pesponto
Desponto
O desenho
Delineado

Cruzo linhas e tecidos
E tecidos e palavras
Texto e tecido
Fio frágil
Que laço e entrelaço

No fim
Meu traço lasso
Repousa satisfeito
Tecido de Ideias e palavras.
                    (2013)

terça-feira, 18 de março de 2014

Para refletir

            "Não há pódio sem derrotas. Muitos não conseguem brilhar no seu trabalho porque desistiram nos primeiros obstáculos.
            Alguns não venceram porque não tiveram paciência para suportar um não, porque não tiveram ousadia para enfrentar algumas críticas, nem humildade para reconhecer suas falhas.
           A perseverança é tão importante quanto a habilidade intelectual. A vida é uma longa estrada que tem curvas imprevisíveis e derrapagens inevitáveis. A sociedade nos prepara para os dias de glória, mas são os dias de frustração que dão sentido a essa glória." (CURY, Augusto. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes. p. 38-39). 

sábado, 15 de março de 2014

Pórtico

Olha  estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais antigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando pássaros nos ramos,
Dando sombra aos que padecem!
                         
                             Olavo Bilac (1865-1918)

         Há muito que tinha em mente criar um blog, mas o tempo foi escorrendo por entre os dedos sem que o desejo se transformasse em realidade. Tanta coisa para dizer e, ao mesmo tempo, o medo de ser repetitiva ...
        Preparando uma Monografia de conclusão da Especialização em Psicologia Jurídica, a ideia foi tomando vulto e o tema se desenhando com uma urgência que eu teimava em adiar - o Envelhecimento como uma fase da vida em que se pode amar e sorrir e, sobretudo, aprender.
        "Aun aprendo" (Ainda aprendo)!
        Inspirada no quadro de Goya  gostaria de compartilhar a mensagem de que sempre é tempo de aprender. E é para aprender,  ensinar, tocar, incentivar, partilhar que abro um novo espaço de diálogo para falar de vários assuntos e até do mesmo assunto de várias formas.

Arquivo: Aun aprendo.jpg
http :/ / commons. wikimedia.org / wiki / File% 3AA% C3% BAn_aprendo.jpg