16.6.26

Cântico do Cisne

É tarde, muito tarde, Amor,

Para ressuscitar o passado!

Dizem que se pode reviver,

Mas é um doce engano.

Só se vive uma vez!

O corpo não responde mais

À doçura das mãos,

O beijo não tem o frescor de antigamente.

E os corações, em disritmia,

Não acertam o compasso.

 

Deixemos o passado, no passado,

Para que o hoje desenhe suas linhas

De traços mais suaves, percebendo novos contornos,

Para que os sulcos profundos, deixados pela vida

Se tornem riachos de águas cantantes

Que refresquem a secura do deserto.

 

Deixa a música tocar até o último acorde

E se uma gota de mar cair dos olhos

Recolhe-a, sem dor, no recanto mais profundo

Do coração adormecido!...

                    31/05/52026

26.1.26

VIVER

 

Não apagues a vida

Antes vivida, por um novo amor!

Sem a vida pregressa

Não terias chegado até aqui.

Não consintas que te peçam para esqueceres!

 

Podes perdoar, podes tocar em frente,

Sem medo, sem culpa.

O que hoje és, deves ao que já foste

Fragilidades de ontem

São as forças de hoje.

 

Se o amor te trouxe até aqui,

− o mesmo, ou outro, que importa?

O amor se renova.

Vestido de novas roupagens,

Caminha sereno pelas sendas da vida

E floresce ao aceno de nova primavera!

 

Deixa as rosas florirem

Deixa as pétalas cobrirem o chão

E quando o outono chegar

E as folhas caírem

 

Abre um largo sorriso

Varre as lembranças ruins

E deixa a vida fluir!

                   Janeiro de 2026